Reflexão sobre a linguagem matemática e a língua materna
Sempre percebi as dificuldades das
crianças, em entender a linguagem matemática, tanto pelos livros quanto pela professora.
É preciso usar uma linguagem coloquial que se aproxime da realidade delas, isso
não impede que se trabalhe com a linguagem adequada à matemática, desde os anos
iniciais, penso que o professor precisa criar estratégias para que as duas
linguagens sejam usadas, a materna e a matemática sendo que as duas são
associadas, interdependentes.
Faz-se necessário que os professores em
geral, oportunizem uma aproximação entre esses dois
componentes, de forma intencional. Grande parte dos professores de Matemática,
na Educação Básica, ouve de seus alunos: “O que isto quer dizer?” ou “É de
multiplicar ou de dividir?” referindo-se a um enunciado ou à tentativa de
resolução de um problema. Esses mesmos professores dizem: “Os alunos não sabem
interpretar” ou “Os alunos não sabem o que o problema pede”, ou ainda, “Os
alunos não sabem Língua Portuguesa, por isso, não conseguem resolver os
problemas.” a situação que lhe é apresentada; o problema certamente não é um
exercício em que o aluno aplica, de forma quase mecânica, uma fórmula ou um
processo operatório. É preciso que a
criança entenda o problema para resolvê-lo, usando estratégias próprias para
resolução satisfatória, ou seja, matematicamente correta.
A
criança no seu cotidiano, mesmo sem ter estudado sobre o assunto já é capaz de
resolver operações e situações problema, por exemplo, conheço garotos que
vendem geladinho, coxinha etc. nas ruas e conseguem receber e fazer um troco
certinho, aí está à presença da linguagem materna, muitas vezes na sala de aula
não resolvem corretamente as operações ou problemas, porque a linguagem do
enunciado é apenas matemática, entendo que a linguagem matemática e a linguagem
materna andam juntas, são interdependentes.
O uso da linguagem matemática
desvinculada dos processos de comunicação, entre professores e alunos
constitui-se num problema para o processo de ensino e de aprendizagem, no
contexto escolar. A relação entre a língua materna e a matemática é definida da
função que cada um exerce em nosso cotidiano, como define Granger (Apud Machado
1974, p.141), “todo matemático utiliza a língua matemática em simbiose com sua
língua natural, dotando os símbolos, de significados mais ou menos prenhes”. A
língua materna se forma com a necessidade de expressão e comunicação do
pensamento. Zuchi (2004, p.49) quando afirma que para comunicar-se “um dos
meios mais eficientes que [o homem] conhece e de que dispõe é a linguagem”. Por
meio da linguagem a criança é exposta ao conhecimento humano e adquire conhecimentos
sobre o mundo que a rodeia. (FREITAS, apud ZUCHI, 2004). Então sendo assim, quais seriam então as
linguagens utilizadas pela criança nesse comunicar-se com o mundo? A língua
materna surge como resposta imediata. É nela que o bebê recebe grande parte das
informações do mundo exterior e, posteriormente, é dela que se utilizará para
comunicar-se com esse mundo.
A aprendizagem em Matemática
está ligada à compreensão, isto é, à apreensão do significado. No ensino da
Matemática, destacam-se dois aspectos básicos: um consiste em relacionar
observações do mundo real com representações (esquemas, tabelas, figuras);
outro consiste em relacionar essas representações com princípios e conceitos
matemáticos. Nesse processo, a comunicação tem grande importância e deve ser
estimulada, levando-se o aluno a “falar” e a “escrever” sobre Matemática, a
trabalhar com representações gráficas, desenhos, construções, a aprender como
organizar e tratar dados.
Existe
uma capacidade subjacente à linguagem, que temos desde o momento em que
nascemos? Sim, a capacidade de reconhecer padrões, afirma Devlin (2004). Ao
investigar o talento para lidar com números e a evolução do pensamento
matemático, o autor lança uma visão alternativa da mente humana como um
instrumento de reconhecer padrões, afirmando que alguns dos padrões que
reconhecemos podem ser descritos através da linguagem. Matemática e Língua
Materna possuem a mesma raiz, a mesma origem; “a capacidade matemática é nada
mais do que a capacidade lingüística usada de maneira ligeiramente diferente”
(DEVLIN, 2004, p.37).
Considera-se
que, desde muito cedo, Matemática e Língua Materna estão presentes em nossas
mentes, constituindo nossos fundamentais sistemas de representação, dos quais
lançamos mão para interpretar a realidade. Letras e números fazem parte do
ferramental cognitivo humano como entes complementares, cooperantes. No limiar
do raciocínio, Matemática e Língua Materna apresentam-se associadas,
interdependentes. Entretanto, apesar de comungarem da mesma fonte, de
compartilharem a mesma raiz, Matemática e Língua Materna, enquanto disciplinas
acadêmicas acabam por tomar direções opostas, pois desde o início do processo
escolar percebe-se, em nível de senso comum, uma ênfase nos aspectos que
separam as duas, em detrimento, sobretudo, da Matemática – que aparece quase
como a vilã da história. Nesse sentido, a imagem de duas semi-retas com mesma
origem e sentidos opostos pode representar as imagens desses dois saberes, em
âmbito escolar, próxima relação a ser tratada. (PCN; 1997)
Referências
B823P BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:
matemática / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.
142p. 1. Parâmetros curriculares nacionais. 2. Matemática: Ensino de primeira à
quarta série. I. Título. CDU: 371.214
BRITO, M. J. F. de – Acadêmico de Matemática da
FACITEC Orientação: Virgínia Haeser
A Influência Do Conhecimento Da Língua Materna Na Aprendizagem De Conceitos E Conteúdos Da Matemática 07p. Disponível em: <http://www.facitec.br/revistamat/download/artigos/artigo_maria_jose_revista.pdf> Acesso em 27/11/15.
A Influência Do Conhecimento Da Língua Materna Na Aprendizagem De Conceitos E Conteúdos Da Matemática 07p. Disponível em: <http://www.facitec.br/revistamat/download/artigos/artigo_maria_jose_revista.pdf> Acesso em 27/11/15.
DEVLIN, Keith J. (2004). O gene da matemática: o talento para lidar com
números e a evolução do pensamento matemático. Tradução: Sérgio Moraes
Rego. Rio de Janeiro: Record.
DUARTE, P. C. X. ; PEREIRA, C. H.; REIS, D.
C.; ROSA, A. C. da; A Linguagem No Ensino De Matemática 14p.
2013. Disponível em: <http://www.nucleus.feituverava.com.br/index.php/nucleus/article/view/817/1113>. Acesso em
27/11/15.
MACHADO, Nilson J. Matemática e língua materna. 5 ed. São Paulo, SP: Cortez, 2001.
ZUCHI, Ivanete. A importância da linguagem no ensino de matemática.
Educação Matemática em Revista, n.16, p. 49-55, ano 11.









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